© Jorge das Neves

© Jorge das Neves

Aurélia de Souza

Estudo para o autorretrato Santo António, s.d.
Impressão sobre papel
Cortesia de José Caiado de Sousa

Aurélia de Souza fez amplo uso do autorretrato na sua obra, chegando ao ponto de utilizar o seu próprio corpo para encarnar outras subjetividades. Assim, fotografou-se com o hábito de um monge, a fim de se pintar a si própria como Santo António (1902). O seu rosto escanzelado, os seus pulsos finos, as suas mãos longas e questionadoras são reconhecíveis. Que diz ela? Aurélia de Souza, santa padroeira das causas perdidas? Quais causas? A da sua luta contra a tuberculose? As lutas feministas e sociais na viragem do século xx? A causa dos artistas? Os seus lábios semiabertos e o seu dedo levantado sugerem um discurso — reservado aos homens —, se não mesmo um questionamento franco e audacioso da ordem patriarcal, enquanto opta por absorver a subjetividade do santo padroeiro.