© Jorge das Neves

© Jorge das Neves

Beatriz Santiago Muñoz

Oriana, 2021–2022
Instalação vídeo multicanal
Cortesia da artista

Oriana é um filme em processo iniciado em 2016 e que parte do livro Les Guérillères, da escritora feminista Monique Wittig. Apesar de publicado em 1969, Wittig começou a escrever o texto em 1967, num contexto político marcado pelas lutas decoloniais e movimentos de libertação das mulheres. Apropriando-se do cânone literário, a artista constrói um longo poema épico que descreve uma marcha mítica e colorida para derrubar, em estilo guerrilheiro, tanto o patriarcado como a linguagem sobre a qual este está estabelecido. É uma guerra de pronomes: Elas aparecem [em francês: Elles, terceira pessoa feminina, plural] como entidade coletiva e personagem principal envolvida numa luta sangrenta contra o regime patriarcal. O livro está dividido em três secções separadas por círculos, enquanto um poema composto por uma lista de nomes corta o decorrer da narrativa, a cada cinco páginas. A secção final, que Wittig escreveu primeiro, é o momento em que Elas vencem e em que, fortemente armadas, Elas derrubam este regime. Depois, «Elas dizem: se eu tomar o mundo, que seja para me desfazer dele imediatamente, que seja para forjar novos laços entre mim e o mundo». Sem criar um fio narrativo, o texto funciona como uma ferramenta que permite a Beatriz Santiago Muñoz refletir no feminismo e no decolonialismo através da transformação da linguagem. Inspirada por Augusto Boal e pelo Teatro do Oprimido, a artista desenvolve com os atores um trabalho performativo que integra a câmara como uma entidade ativa dentro deste aparelho. Atualmente apresentado como uma projeção vídeo multicanal, o filme tem lugar após Les Guérillères, após a queda do patriarcado, ou seja, no futuro.